Continuação de como surgio a Memórias Magnéticas!
Bom, a professora brasileira que fez parte da ‘’instituição’’ que nos trouxe ao Brasil, nas primeiras semanas ficou encarregada de nos ajudar com CPF e outros documentos aqui. Ela fazia muitas vezes com tanta má vontade que deixava todos nos mais perdidos ainda e nos perguntavamos, o que fizemos de errado pra ela mudar o comportamento desta forma de hora em hora e nos tratar com tanta humilhação!?
Depois fomos entendendo e percebendo os detalhes. O relacionamento dela com o professor do nosso país não deu muito certo e tiveram desentendimentos.
Isso eles falando por telefone porque ele não veio em nenhum momento aqui no Brasil para nos acompanhar e os boatos foram de que tinha sofrido um acidente de carro que segundo eles ocorreu enquanto estavam indo da Itália até a embaixado do Brasil na Áustria com o pretexto de que precisavam resolver alguma documentação. Inclusive nos estávamos aguardando a chegada dele até para nos devolver o montante de 2 mil euros que tinham nos cobrado para "plano de saude" pois como contamos anteriormente, descobrimos que nem plano tinhamos e mesmo se tivessemos, os 2 mil euros da época dava para pagar um plano pro resto dos estudos rs.
Então voltando ao assunto, quando ela ficava chateada com ele, descontava em nos todos, 14 estudantes desesperados sem saber o que seria de nos perdidos aqui do outro lado do mundo. E isso ela descontava por exemplo, não nos orientando com a documentação, etc. só quando dava vontade e que ela estava "de boa".
Mesmo com tudo isso, hoje, a gente não culpa tanto ela.
Mesmo ela ter falhado com todos nos, sentimos que ela foi enganada também e no abalo disto acabou abrindo mão da gente. E quando viu que estávamos recebendo ajuda de outras pessoas que conhecemos aqui e que conseguimos dar seguimento na faculdade, ela realmente largou a nossa mão de vez e nunca mais conseguimos obter qualquer noticias dela.
Como já estávamos morando na fazendinha (alojamento da faculdade), o reitor e outras pessoas da faculdade que estavam ajudando em nosso caso, sabiam que o ideal era ficarmos em famílias brasileiras pois assim poderíamos aperfeiçoar a língua, ter uma adaptação melhor e o mais importante estarmos um pouco mais perto da faculdade, considerando que a fazendinha era numa cidadezinha mais distante chamada Sabará e a faculdade era no centro de BH.
Assim, eles fizeram o possível para que saíssemos em uma matéria do jornal Estado de Minas e que o nosso caso tivesse uma repercussão maior e pudéssemos conseguir contatos de famílias que gostariam de nos acolher temporariamente neste momento de adaptação "até criarmos as próprias asas" vamos dizer assim rs.
Conseguimos sair no jornal Estado de Minas em janeiro de 2009 e pela nossa surpresa varias famílias ao ler sobre o nosso caso, ligaram para ficar com um de nos e claro, ficamos extremamente felizes.
Entre os 14 estudantes éramos 2 casais, nos dois que já viemos pra cá namorando e tinha outro casal também. E o melhor de tudo é que teve famílias que disseram que aceitariam casais também na casa deles. Imagina a nossa alegria, porque afinal, aqui nos só tínhamos um ao outro longe da família e com isso tudo, era muito importante estarmos juntos nessa adaptação ♥
E assim fomos morar por um tempo com uma família brasileira que tinha 2 filhos e 4 cachorros na época. Como os filhos moravam fora de BH, eles queriam companhia e com muito carinho aceitaram nos dois.
Hoje a gente fala que temos duas famílias, uma de sangue e outra de coração porque eles nos fizeram se sentir parte da família mesmo e temos muitas histórias já com eles ♥
Em Fevereiro de 2009 começaram as aulas da faculdade. Eu e o Flamur nos matriculamos em Arquitetura e Urbanismo. Os dois por incrível que pareça sempre gostamos e o Flamur na nossa cidade tinha feito o ensino médio de Arquitetura. Porque em nosso país, no ensino médio você pode estudar a área próxima do que fará na faculdade por exemplo. Tem ensino médio de medicina, informática, administração, direito, etc. Como se fosse mesmo uma preparação antes da faculdade.
Bom, com o começo das aulas, começou o desafio da língua. Porque mesmo com as aulas intensivas de 2 meses, o máximo que a gente conseguia era se comunicar um pouco. Detalhe, falo por mim mesma, o que me ajudou bastante é ter assistido a novela ‘’o clone’’ que passou em nosso país em 2002. Foi uma novela que fez muito sucesso acho que no mundo todo. Me ajudou porque era em português e legendado em albanês, nossa língua. Então com isso, eu entendia muito mais do que falava claro kkk.
Tendo aulas na faculdade com termos específicos de Arquitetura, era bem diferente do que se comunicar na rua com brasileiros. E assim acabamos aprendendo na marra a língua. A nossa sorte foi que no primeiro semestre da faculdade, as provas eram em dupla e desta forma a gente tinha a ajuda dos colegas da sala. Os professores quando davam aula, paravam e explicavam pra gente. Tinham a maior paciência do mundo ♥
E claro, já no segundo semestre não havia mais esta mordomia rs, a gente foi andando com as próprias pernas vamos dizer assim.
Além de termos morado com a família brasileira, chegamos a morar também em republica com os outros estudantes que viemos juntos.
E além do estagio que o reitor tinha arrumado pra nos na faculdade, iniciamos os estágios em nossa área de Arquitetura desde 2010. Teve momento que fizemos até 3 estagios simultaneamente porque precisavamos nos sustentar e se perguntar como isto foi possivel, não sei se saberemos responder muito bem mas a verdade é que, como vocês costumam dizer, "precisavamos nos virar nos 30" rsrs.
Enfim, para não estendermos muito por aqui e confessamos que enquanto estamos escrevendo estas palavras, muitos sentimentos estão vindo a tona e ja até cairam alguns ciscos em nossos olhos rs, vamos tentar ser mais breves.
Em 2013 concluímos a faculdade de Arquitetura e Urbanismo, com o coração cheio de gratidão e felicidade.
Concluímos assim uma das fases mais desafiadoras das nossas vidas e cheia de aprendizados que levaremos pra vida toda, não apenas no quesito acadêmico, mas em todos os aspectos possíveis porque além de longe da nossa família e da nossa persistência, acreditamos que só foi possível devido a muitas e muitas outras pessoas que nos ajudaram durante toda a jornada, tiveram paciência e nos apoiaram sempre nos momentos mais difíceis. Aqui entram os professores, o reitor, os colegas da sala, os amigos, a família brasileira, o pessoal dos estágios e todos que faziam parte do nosso cotidiano na época. Seremos eternamente gratos ♥
Em BH nos exercemos a profissão de arquitetura até 2016.
Após a crise que o Brasil enfrentou na área de engenharia em geral devido ao “lava jato” que deu o que falar na época, 2016 foi o ano da nossa reinvenção.
No próximo capitulo vamos abordar este novo início para você entender como de fato surgiu Memórias Magnéticas!
Continua na parte 3
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